quarta-feira, 18 de abril de 2012
Moderninhos
" (...) A Poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem. Tinha havido a inversão de tudo, a invasão de tudo: o teatro de base e a luta no palco entre morais e imorais. A tese deve ser decidida em guerra de sociólogos, de homens de lei, gordos e dourados como Corpus Juris. Ágil o teatro, filho do saltimbanco. Ágil e ilógico. Ágil o romance, nascido da invenção. Ágil a poesia. A poesia Pau-Brasil, ágil e cândida. Como uma criança. (...)"
Manifesto da Poesia Pau-Brasil - Oswald de Andrade
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Reflexões para nós, atores

As reflexões que ofereço abaixo foram extraídas do capítulo Timidez, do livro A Preparação do Diretor, de Anne Bogart. O capítulo, por inteiro, é todo revelação em forma de simplicidade. Retirei um pequeno ''caldo'' para colocar aqui:
Todo ato criativo implica um salto no vazio. O salto tem de ocorrer no momento certo e, no entanto, o momento para o salto nunca é predeterminado. No meio do salto não há garantias. O salto pode muitas vezes provocar um enorme desconforto. O desconforto é um parceiro do ato criativo - um colaborador-chave. Se o seu trabalho não o deixa suficientemente desconfortável, é muito provável que ninguém venha a ser tocado por ele.
O desconforto é um mestre. O bom ator corre o risco de se sentir desconfortável o tempo todo. Não há nada mais emocionante do que ensaiar com um ator que está disposto a pisar em território desconfortável. A insegurança mantém as linhas tensas. Se você tenta evitar sentir-se desconfortável com o que faz, não vai acontecer nada, porque o território permanece seguro e não é exposto. O desconforto gera brilho, realça a personalidade e desfaz a rotina.
Você não pode se esconder; seu crescimento como artista não está separado de seu crescimento como ser humano: é tudo visível.
''O salto, não o passo, é o que torna possível a experiência.'' Heiner Müller
terça-feira, 3 de abril de 2012
a substância primordial. Ponto de partida. Causa primeira.
A prática, conforme afirmam antropólogos e arqueólogos, era encontrada em algumas comunidades ao redor do mundo. Na maioria dos casos, consiste num tipo de ritual religioso/mágico como uma forma de prestar seu respeito e desejo de adquirir as suas características. (...) opção de vida ou morte. (...) pessoas consideradas especiais em sua comunidade. Para isso, utilizavam talheres próprios."
(... ) impregnados em nós, nós que já somos pós, só somos pós. o ser morte. o nada. resquícios ainda das inflamações que não foram tratadas, impregnados pelo pus ainda quente e viscoso, que muitos, há séculos acreditavam e acreditam ser a "solução" das nossas vísceras arejadas e cheias de silêncios. por que o problema foi, na verdade, nunca saber que se o universo é infinito o verso de nós não precisa ser único, muito menos ter um fim. nasceu uma necessidade vital, e às vezes, mortal de preencher os espaços e enfeitar a solidão. flores, diálogos, batons, sistemas, bombons, regrinhas de todo dia, grandes leis, grandes fronteiras, grandes distâncias, arquiteturas, vários lindos tabuleiros pro jogo, as peças ainda e sempre ocas começaram a lançar fogo em suas próprias madeiras cheias de álcool e incensos, vícios que não percebemos, talvez por isso nem existam, religiões, gel de cabelo... e pessoas. Se existe uma coisa, senhora, que não pode se enfeitar-findar... SÃO OS NOSSOS BURACOS, nossos espaços. Que quando se enfeitam, se completam. Estes grandes poços. Quando infindáveis, produzem ecos de nós. janelas por onde passam a parte mais intima, sublime e terrível de nós. Não quero com isso, que pense que tudo isso é simples e logicamente esquizofrênico o bastante para se encaixar e preencher as fissuras. Pelo contrário. o SUSPIRO passa pela superfície. Só lá ele é. Cheio, denso, inteiro. O resto de nós vive o vazio, a supressão, a angústia. da esfera infinita embalada a vácuo (....) isso que o chão tem de querer ser teto, o solo de querer ser céu, a terra de querer ser vento. essa tensão que não puxa pro centro da terra, nem faz dançar leve sem direção nem gravidade, mas a tensão que delimita espaços pra eles ficarem ainda mais infinitos.
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