sexta-feira, 6 de abril de 2012

Reflexões para nós, atores


As reflexões que ofereço abaixo foram extraídas do capítulo Timidez, do livro A Preparação do Diretor, de Anne Bogart. O capítulo, por inteiro, é todo revelação em forma de simplicidade. Retirei um pequeno ''caldo'' para colocar aqui:

Todo ato criativo implica um salto no vazio. O salto tem de ocorrer no momento certo e, no entanto, o momento para o salto nunca é predeterminado. No meio do salto não há garantias. O salto pode muitas vezes provocar um enorme desconforto. O desconforto é um parceiro do ato criativo - um colaborador-chave. Se o seu trabalho não o deixa suficientemente desconfortável, é muito provável que ninguém venha a ser tocado por ele.

O desconforto é um mestre. O bom ator corre o risco de se sentir desconfortável o tempo todo. Não há nada mais emocionante do que ensaiar com um ator que está disposto a pisar em território desconfortável. A insegurança mantém as linhas tensas. Se você tenta evitar sentir-se desconfortável com o que faz, não vai acontecer nada, porque o território permanece seguro e não é exposto. O desconforto gera brilho, realça a personalidade e desfaz a rotina.

Você não pode se esconder; seu crescimento como artista não está separado de seu crescimento como ser humano: é tudo visível.

''O salto, não o passo, é o que torna possível a experiência.'' Heiner Müller

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. "Não há nada mais emocionante do que ensaiar com um ator que está disposto a pisar em território desconfortável. "
    Palavras perfeitas

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